Os músculos somos nós

Hoje os músculos resolveram fazer uma rebelião contra mim, fui jogada na cama sem direito de me erguer, eles fizeram uma greve, tomaram conta de um corpo que na verdade sempre pertenceu a eles. Me deixaram impotente e isso me irritou. Porém, não tendo outra alternativa e com um poco de esforço, eu até compreendi o que os meus músculos pretendiam. 

Submetidos a um diário regime opressor de trabalho escravo sem remuneração satisfatória, é mais do que aceitável uma revolta, um motim. Os meus músculos operários tomaram conta da fábrica em uma greve de fim indeterminado, em busca de uuma melhoria, adimito minha adoção aos regimes pós globalização em que quase esquecemos as medidas varguistas.

Pensando por esse lado, os músculos não se diferem muito de nós, escravos de um sistema interminável, postos a esforços imensuráveis e suportando situações desumanas. Submetidos ao que se encontra na calota craniana ou aquele que está sentado na cadeira de presidente com uma faixa verde amarela.

A diferença é que os meus músculos já se revoltaram, resta saber quando nós iremos nos rebelar.

MARINA RUSSO

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